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sábado, 19 de junho de 2010

Festival de Cenas Curtas movimenta as artes cênicas no Cine Horto
Por Flávia Guerra e Fabiana Martins

Respeitável público!
O Galpão Cine Horto iniciou quarta-feira, 16 de junho, o 11º Festival de Cenas Curtas. O evento está de cara nova, porém, conservou o formato clássico, com 16 cenas de 15 minutos, distribuídas em quatro noites de apresentações. E em cada noite o público junto com uma comissão especializada votam na cena que mais agradou. As quatro cenas mais votadas disputarão uma vaga para cumprir uma curta temporada no Galpão Cine Horto, logo na semana seguinte do festival.
A grande mudança deste ano é a interatividade do público com os artistas no processo de criação. E mais, os espectadores tiveram a chance de conferir as quatro cenas selecionadas para a 2ª etapa do projeto Cena-Espetáculo apresentadas no primeiro dia do festival. No 11º Festival de Cenas Curtas, a Cena-espetáculo, tornou-se projeto independente na programação do Galpão Cine Horto. Em março desse ano com o edital próprio, foi realizada a primeira etapa: a Mostra dos Rascunhos de Cena. Cada artista encenou a essência de sua criação com duração de cinco a oito minutos. Foram 12 rascunhos e destes, quatro projetos foram selecionados para desenvolverem as cenas no limite de quinze minutos.
Para Fabbio Guimarães, ator, o Cenas Curtas é um festival de grande importância no cenário teatral mineiro, pois fomenta a criação artística de uma maneira inusitada: através das misturas de linguagens, de diferentes modos de fazer teatro, como a comédia, o teatro popular, a expressão corporal e permite ao artista trabalhar com a experimentação.
É válido destacar que após as apresentações, o tradicional Bar do Cenas Curtas, no segundo andar, aguarda a presença do público, sendo um espaço de troca entre a platéia e os artistas, com o comando do Grupo de Teatro 171 e mais, um dia após exibição das cenas, o Cine Horto abre as portas para um debate entre artistas e platéia. Vá correndo ao Galpão Cine Horto e garanta seu ingresso, a entrada é gratuita!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morte irreverente em O funeral

Por Vanessa Ferraz

Um misto de dança, irreverência, excelente atuação e interação com o público. Foi assim, O Funeral, a cena que abriu a 11ª edição do Festival de Cenas Curtas. Apontando a normalidade de um acontecimento que abala a todos os seres humanos, a palhaça Umbigolina nos faz enxergar o lado inverso dessa situação cotidiana da vida. Em 15 minutos, ela empolga com sua alegria e conteúdo dramático; em meio a espirros e expressões corporais, manifesta, ao público, a idéia de que a morte pode não ser algo tão ruim assim. “A morte é apenas uma fase, para mim é encantador trabalhar com esse tema através do clow. É uma maneira de perder o medo, de colocá-la com jocosidade, lirismo. É uma forma de diminuir esse peso que ela carrega”, diz Joice Aglae, a atriz amazonense criadora Umbigolina.

Utilizando um vestido verde, pulseiras barulhentas, máscara e cabelos ouriçados, a palhaça trás vida a um tema fúnebre, tocando além de sua caixinha de músicas, também o público no Galpão Cine Horto. “Trabalho com a máscara, que já é a morte do ator. O ator tem que morrer para a máscara viver”.

Com mestrado acadêmico em clow, a atriz acredita na célebre frase do francês Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se perde nada se cria, tudo se transforma”. A tese dela aborda o que chama de DNA imaginal, ou seja, “os genes que se perpetuam desde a antiguidade, através de expressões lúdicas, não obedecem limites”.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sem palhaçada

Por João Santos

“Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

Poética – Manuel Bandeira

Ingênuo, grotesco, louco, infantil. A figura do palhaço carrega em si uma diversidade de características que vão muito além dos sapatos compridos e do nariz vermelho. Efetivamente o personagem surgiu na baixa comédia grega e romana, atravessou os séculos e se reforçou na commedia dell'arte. Sem dúvida, porém, desde o início das civilizações o homem precisa de espaços para fugir do comum, do ordinário, do bom senso...enfim, do civilizado. “O palhaço, age na desconstrução do pensamento, no erro como acerto e principalmente na verdade, na sua verdade”, assim pensam Karla Concá e Vera Ribeiro, do grupo As Marias da Graça. O coletivo carioca desembarca no Cine Horto na próxima sexta-feira 18 para apresentar sua cena Duas Palhaças e Um Pequeno Príncipe.

Além delas pelo menos mais duas cenas no festival utilizarão do clownesco: Eu tu elas, dirigido pela catarinense Karina Pereira e 1999=10 de Dudude Herrmann. Bailarina, coreógrafa, diretora, improvisadora e veterana no festival, Dudude garante: “todo improvisador tem seu clown introjetado em seu ser”. Sobre sua cena, que participou da mostra Cena Espetáculo no primeiro dia do festival, explica que não faz palhaçada: “(a cena) tem como linha de fuga um ar clownesco, zombeteiro, irônico, rir do seu próprio ridículo, nesta cena as coisas são realmente sérias, mas discutimos e conversamos sobre o nada e completamente crentes que somos alguma coisa”.

Talvez esta capacidade do palhaço em provocar o espectador a rir de si mesmo seja a explicação para sua longevidade...Motivos para rir não faltam e, depois de muitos carnavais, os palhaços não poderiam estar ausentes no 11º Festival Cenas Curtas.

1999=10 | Belo Horizonte/MG

Parte da mostra do Cena-Espetáculo – Quarta (16), 21h

Ingressos: R$20 (inteira) | R$10 (meia)

Eu tu elas | Curitiba/PR

Parte da programação do Cenas-Curtas – Quinta (17), 21h

Ingressos: R$20 (inteira) | R$10 (meia)

Duas Palhaças e Um Pequeno Príncipe | Rio de Janeiro/RJ

Parte da programação do Cenas-Curtas – Sexta (18), 21h

Ingressos: R$20 (inteira) | R$10 (meia)